MOVIMENTOS ANTIVACINAÇÃO: PORQUE SÃO PERIGOSOS E COMO CONTRAPOR

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Todos os anos, 1,5 milhão de crianças em todo o mundo morre de doenças que poderiam ter sido evitadas com vacina.

Mão com uma luva azul segurando uma seringa

E, no Brasil, a taxa de vacinação de algumas enfermidades, que costumava ser cerca de 95% de acordo com o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS), caiu para aproximadamente 70% em 2017.

Há uma porcentagem cada vez maior da população que tem evitado a vacinação contra doenças como o sarampo, a poliomielite, caxumba, rubéola e a varicela, por exemplo. São os anti-vaxxers, ou, ativistas antivacina.

 Algumas dessas doenças, até então consideradas erradicadas do país, correm o risco de voltar a ser consideradas uma ameaça. Isso tudo porque alguns pais tem escolhido deliberadamente não vacinar os seus filhos contra estas doenças, algumas até  letais ou que podem deixar sequelas.

Recentemente, inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o movimento antivacinação como um dos dez maiores riscos para a saúde global, porque ameaça reverter o processo no combate as doenças evitáveis, como o sarampo.

Para se ter uma ideia do perigo de movimentos como este, há 14 anos os Estados Unidos declaravam o sarampo totalmente erradicado no país, porém, em 2013, foram registrados 189 casos da doença.

No Brasil estamos vivenciando o ressurgimento do sarampo, com vários casos fatais já registrados, não apenas na região Norte (trazido pelos refugiados venezuelanos), mas agora também nos estados do Sudeste, Sul, Nordeste e Centro Oeste.

A vacinação atualmente evita de 2 a 3 milhões de mortes por ano, de acordo com a OMS, e é uma das formas mais eficientes de se evitar uma doença. Ela é gratuita e acessível – está disponível em 36 mil postos de saúde espalhadas pelo território nacional. Além disso, é segura, eficaz e salva vidas, e isto é cientificamente comprovado.

MOVIMENTO ANTIVACINAÇÃO: COMO SURGIU

Criança sendo vacinada na região do braço esquerdo.

Em 1998, o médico britânico Andrew Wakefield fraudou um trabalho científico com objetivo de relacionar a vacina tríplice viral MMR com o autismo, e assim, enriquecer vendendo imunizantes contra o sarampo. A informação falsa, que foi desmentida pouco tempo depois, ganhou força nas redes sociais e ainda é responsável por fazer com que muitos pais evitem vacinar seus filhos contra o sarampo.

Informações falsas ou imprecisas como esta são divulgadas e ganham força na internet, principalmente nas redes sociais – canais que muitos pais utilizam para se comunicar, se informar, e formar opinião.

O preocupante é que são raras as vezes em que as pessoas se dão ao trabalho de buscar a confirmação das informações fora das redes sociais, como em sites informativos ou científicos, por exemplo. Por isso, uma informação errada ou incompleta é repassada como verdade, sem ser contestada.

Além disso, existem pessoas ganhando dinheiro na internet vendendo livros com informações falsas, remédios e produtos naturais que dizem curar o autismo ou o sarampo.

POR QUE NÃO SE VACINAR É PERIGOSO?

Homem sendo vacinado no ombro por um médico

Antes de existir a imunização eficaz, na década de 20, uma em cada cinco crianças morria de alguma doença infecciosa antes dos 5 anos de idade.

Quando uma parte da população não se vacina, criam-se grupos de pessoas suscetíveis, que possibilitam a circulação de doenças infecciosas. E os que saem mais prejudicados são aqueles que não podem se vacinar: recém-nascidos, gestantes, idosos, entre outros.

Se um pai ou uma mãe não vacina seu filho de 5 anos de idade contra o sarampo, ele pode contrair a doença e transmitir para um bebê de 6 meses que ainda não tomou todas as doses necessárias para imunizar-se completamente. Nesta fase, a doença pode deixar sérias sequelas ou ser letal. Portanto, trata-se de uma atitude altamente irresponsável e perigosa.

COMO ARGUMENTAR

Caso o argumento praticado por um anti-vaxxer seja algo do tipo “eu tenho o direito de fazer o que eu quiser”, é possível refutá-lo dizendo que ele precisa conscientizar-se urgentemente de que doenças funcionam justamente por causa da transmissão.

Portanto, como já mencionamos, se uma pessoa ou um grupo de pessoas agir em desacordo com a prevenção, pode acabar prejudicando aqueles que não podem se vacinar – recém-nascidos, idosos e imunodeficientes. E são esses justamente os mais suscetíveis aos casos graves da doença.

Médica preparando uma seringa usando luvas azuis escuras.

Outro argumento é que a vacinação seria lucrativa para a indústria farmacêutica, e por isso ela estava sendo imposta. Mas é justamente o contrário: a indústria lucraria muito mais com o tratamento de doenças como o sarampo do que com a prevenção. E mais, a vacinação não é questão de lucro ou crença – é questão de saúde pública.

O médico Dr. Peter Hotez, reitor da National School of Tropical Medicine Baylor College of Medicine, reforça que “é importante que acadêmicos exponham suas ideias e assumam um papel mais público. Simplesmente escrever artigos para periódicos acadêmicos não é mais suficiente para combater as guerras de informação ou as guerras de mídia”.

Portanto, é importante se ter em conta que a vacinação é um ato social de quem vive em comunidade, e que os movimentos antivacinação precisam ser combatidos por todos.

É necessário conscientizar as famílias que a decisão não pode ser apenas dos pais quando a saúde de uma criança e de toda uma população é colocada em risco.


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